quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Abordagem na Capital do País – Brasília a Terra da Desigualdade

Um dia andando nas ruas de Brasília, Capital do Brasil, terra da Lei sem Lei, dos picaretas de plantão, da desigualdade assolada nas áreas próximas ao CONGRESSO NACIONAL BRASILEIRO, me deparei com uma cena que revelou a realidade, não só da Cidade de Brasília, mas de muitas outras cidades do Brasil.

Estava eu, saindo para trabalhar de manhã cedo, andando nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto, bem no Centro de Brasília, há cerca de menos de cinco minutos do Congresso Nacional, quando sem ao menos esperar, uma criança me abordou e sem ao menos imaginar chegou para mim e disse:

“Dá licença minha senhora, desculpas por eu estar com os pés no chão, minha roupa estar rasgada, meus cabelos despenteados, é que eu durmir nesta calçada e com o sol me esquentando eu acordei. Eu queria ser como seu filho, correr, brincar e jogar bola. Ter uma mãe pra me acordar e ter um pai pra me levar pra escola. Meus pais eu não sei por onde andam, a minha casa é essa rua, meus irmãos são as estrelas e a escola que eu frequento é a da vida que muito me ensina. Moça, eu ouvi dizer que sou a esperança, mas sinceramente, não sei de que, porque ninguém me vê como apenas uma criança. Como posso ser eu a ESPERANÇA DE UM BRASIL MELHOR? Eu vivo aqui, sem carinho e proteção, não entendo muito da vida, mas o que entendo ja deu pra perceber como sou e o que reprensento para este país. Vá para o seu trabalho, volte para sua casa, ame e dê valor ao seu filho e sua família, pois eu só quero um trocado para comprar um pão”.

Por alguns instantes fiquei atônita com a abordagem daquela criança. Totalmente sem reação. Arrepiada é claro, mas sem reação. Como pode uma criança, que devia ter por volta dos seus nove ou dez anos de vida, me falar tudo aquilo e entender exatamente o que acontece não só com ela, mas com milhares de crianças que vivem por aí ao descaso de nossos governantes.

Ao mesmo tempo, fico tentando compreender o sistema político que temos em nosso país. Temos eleições quase bianual. Um período eleitoral vergonhoso, onde políticos picaretas surgem do nada prometendo mundos e fundos aos pobres brasileiros necessitados. Artistas que buscam no mundo político, se enriquecer mais ainda e utilizar de seu fama para chegar ao congresso e nada fazerem pela população brasileira. No entanto, me assusta as estatísticas reveladas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) onde apontam uma tendência de crescimento expressiva no país. Como pode a população jovem, com idade entre 15 e 29 anos de idade, crescer em uma velocidade como esta e o Brasil crescer ao contrário em relação as políticas de assistência a juventude nesse país.

Durante quase oito anos de governo Lula, presenciamos mudanças significativas. Mudanças que entraram para a história desse país e encantaram o Mundo. Revelações recentes do Governo Brasileiro, durante o Prêmio ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), apontam para o crescimento econômico acelerado a partir de 2003, fator principal para que o Brasil alcançasse as metas nacionais e internacionais de redução da extrema pobreza e da fome. Mas como podemos exaltar esse dado, se em quase todos os cantos que andamos por esse país, ainda encontramos jovens como esse que me abordou passando por situações como as que ele e muitos outros nesse país ainda passam? Ainda segundo os dados divulgados pelo Governo Brasileiro sobre esse alcance, observamos um progresso de mais ou menos 2 milhões de pessoas saindo da extrema pobreza. Um fator significativo para o que antes esses dados ao menos chegavam próximo do que chegamos em oito anos da Era Lulista.

Tanto tempo trabalhando com juventude nesse país, ainda me deparar com uma abordagem dessas e perceber que nesse país, se não ficarmos atentos as mudanças que o tempo nos traz e ao mesmo tempo, não ficar de olho nos picaretas que aparecem por ai prometendo mudar o país, é de colocar uma interrogação na minha cabeça que me indaga a simples questão: “SERÁ QUE, NÓS JOVENS BRASILEIROS, AINDA TEMOS TEMPO PARA SER A ESPERANÇA DE MUDANÇA NESSE PAÍS?”
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