quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Quase 20 anos depois, o que nos resta?

Há quase 20 anos atrás, foi convocado no Rio de Janeiro – Brasil, mais de 172 Chefes de Estado do mundo, com um único objetivo: Estabelecer políticas e ações para transformar o desenvolvimento de todos os países, com base na cooperação internacional, visando a necessidade de conservar os processos ecológicos e a VIDA no planeta e, por um lado, e resolver os graves problemas humanos de pobreza, violência etc. Essa convocação mundial foi chamada de Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente, muito conhecida também como Rio 92 ou ainda, Eco 92.

A sua realização foi estimulada pelo relatório da ONU em 1987, que atraiu milhares de pessoas e organizações, incluindo de governos, instituições religiosas, de pesquisas científicas, setor privado, da mídia, povos indígenas e de entidades da sociedade civil.

No período de realização da Rio 92 eu tinha apenas 6 anos de idade e estava saindo do pré-escolar. Infelizmente não tive a oportunidade de me juntar as milhares de pessoas comprometidas com a causa que lá estavam. Não participei do processo preparatório, das negociações de seus resultados formais, como a Agenda 21 e a Convenção Quadro de Mudanças de Clima. Mas hoje, aos 24 anos de idade, mais crescida e ciente de tudo o que aconteceu antes, durante e depois da Rio 92, busco a realização do sonho de permitir que meus filhos e as futuras gerações deste planeta possa viver em condições dignas de um ser humano.
Anos de pesquisas e ações voltadas para a realização este sonho me permitiram ver, sentir e agir para ser a MUDANÇA QUE QUERIA VER NO MUNDO!

Na Rio 92, seu Secretário Geral, Maurice Strong, afirmou que o evento era a última chance para a humanidade no século XX assegurar as bases ambientais de nossa sobrevivência. A Agenda 21 foi estabelecida para isso!

Pois bem, passados quase 20 anos, fica a indagação: QUE PROGRESSO FOI TIVEMOS NA IMPLEMENTAÇÃO DOS COMPROMISSOS E AÇÕES DEFINIDAS PELOS LÍDERES DE TODOS AQUELES PAÍSES PRESENTES NA RIO 92? ONDE ESTÃO OS TRATADOS ALTERNATIVOS, ELABORADOS POR MAIS DE 4 MIL REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL REUNIDOS NO FÓRUM GLOBAL, QUE ACONTECEU PARALELAMENTE À RIO 92 E FOI CO-ORGANIZADO PELO FÓRUM BRASILEIRO DE ONGS E MOVIMENTOS SOCIAIS – FBONGS.

Me perguntou se os objetivos da Rio 92 eram ambiciosos demais? Se todas as Conferências das Partes – COPs foram desnecessárias até agora. A frutração da COP 15 em Copenhague foi um baque mundial. Um ACORDO JUSTO E AMBICIOSO, parecia o filme “A espera de um MILAGRE”. No fim, acho que mais do que uma simples FRUSTRAÇÃO, um verdadeiro choque na sociedade mundial.

Copenhague foi para o mundo a despertar para a contagem da BOMBA que pode explodir a qualquer momento se não conseguirmos a adesão desse acordo.

Brasil – país de todos! Esse é o lema do nosso governo. Uma análise geral dessa frase pode ser levada para o que no fim poderemos chegar: um país que receberá inúmeros refugiados ambientais, principalmente do continente africano.

A RIO 92 nos mostrou o que deveria ser feito, e em alguns casos, como deveria ter sido feito. O que nos faltou foi a vontade política de realizar!

Há aqueles que, desinformados, não sabem quais os caminhos para a sustentabilidade ambiental. Entretando, há aqueles que conhecem os acordos e os desafios locais, nacionais e globais, mas continuam a guiar suas condutas políticas e econômicas de maneira usual, talvez para não ficarem de “fora do sistema”, que ainda premia o lucro ou votos dos que ousam não ouvir os apelos pela segurança ambiental e pela justiça social.
A RIO + 20 se aproxima, as articulações já estão sendo feitas! E o que iremos apresentar para o mundo neste outro mega evento milionário, sinceramente, EU NÃO SEI. E tenho VERGONHA de dizer que pouco avançamos quanto a RIO 92.

Adrielle Saldanha - 24 anos
* Adrielle Saldanha é Secretária Geral do Conselho Estadual da Juventude do Rio de Janeiro e Presidente do Instituto Socioambiental ÓIKOS, consultora ambiental com ampla experiência nacional em meio ambiente e mudanças climáticas. Tem mais de 10 anos de experiência em atividades de conservação e uso sustentável do meio ambiente e capacitação de recursos humanos. É membro da Rede Nacional da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA;  Educadora ambiental; Participa do Movimento 350.org no Brasil e é uma das Líderes Jovens pelo Clima no Brasil.
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