sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O que foi o SWU aos olhos da Mochila!

 O que foi o SWU?
Eles queriam ser Woodstock. Mas também queriam levar um troquinho...
Sem dúvida alguma, um evento da proporção do SWU daria problema e é claro que tem gente chata e mimada que poderia ter exagerado nas reclamações, mas pra gente que acompanhou o festival na tentativa de tentar comprovar a sustentabilidade do que eles chamaram de “festival sustentável SWU” passou bem longe do que nós amantes da natureza e caçadores da sustentabilidade poderíamos comprovar.

A Mochila que pode acompanhar o festival no dia 10 de outubro identificou centenas de problemas e reunimos aqui boa parte do que vimos e ouvimos por aí. Sinceramente, nem um pouco sustentável e uma vergonha e decepção para quem foi ao festival com a intenção de além de se divertir, colaborar para um mundo mais sustentável.

Talvez o que intensifique nossa revolta seja a insistência da organização em chamar esse evento puramente comercial de “movimento social” e a falta de diálogo com as pessoas que gastaram seu rico dinheirinho e ficaram insatisfeitos, reclamando como podem pela internet a fora. Ou talvez seja pela falta de sustentabilidade do evento e que a organização ainda diz que terá uma segunda edição.

Para quem gastou seu rico dinheirinho nessa farsa deslavada de sustentabilidade ai vão algumas mentiras disseminadas pela Organização do SWU e algumas sugestões da Mochila para a próxima edição.

1. Pista Premium, Camping Premium, Praça de Alimentação Premiun, vários locais Premium que deixavam a galera isolada uma das outras. Melhor dizendo, acesso restrito em boa parte do evento. Sem sentido algum de sustentabilidade, principalmente em algo que é chamado de “movimento social”. É, pode ter sido um movimento social, dos riquinhos donos de mega empresas que colocaram suas marquinhas por lá. Não custava liberar tudo ou mesmo, quem sabe, que até cobrassem um preço simbólico de manutenção do espaço, sei lá. Essas coisas para deixar ambiente mais legal, num sentido de igualdade. Mais nada disso importou para os organizadores do SWU. Levaram a risca a cultura imperialista, discriminatória e segregatória. Coitado do Luter King se ainda estivesse vivo. Mais uma farsa destacada no SWU: A cultura VIP foi, talvez o seu maior pilar e curiosamente uma das maiores causas de nossa situação precária – ambiental e humana.

Uma Vergonha essa Indústria "Sustentável"
2. Preços Exorbitantes. Como se não bastasse pagarmos caro pelos ingressos, quem não tinha grana, ou morreu de fome ou de sede. Vivenciamos no festival projeções futuras de um mundo onde a água e comida serão apenas para os ricos. Coitado do Presidente Lula que lutou durante 8 anos de seu governo para levar comida a camada mais pobre da sociedade. Só pra ter noção, uma garrafinha de água, dessas pequenas que compramos na rua e que nos custa cerca de R$1 real, R$ 2 reais no máximo, lá custava R$4 reais, sem contar o refrigerante em lata, sem noção alguma de sustentabilidade, essa pequena latinha de 350ml, que fora o seu líquido caro e seu resíduo posterior, saia pela bagatela de uns R$5 reais. E ai, com esses preços nas alturas, onde a inflação chegou a picos maiores que o Everest, se preparem para os preços das comidas, só o Fast Food ridículo de um Hambúrguer nos custou R$12 reais. Absurdo para o nosso bolso e para a tão sonhada sustentabilidade!!!!

Um evento dessa magnitude, com toda a mídia que foi jogada em cima, com os apoios e patrocínios que teve, nada justifica essa inflação desmedida que encontramos por lá. Os caras receberam incentivo do Governo Federal para realizar um evento em que eles acabaram manchando a reputação da pobre da sustentabilidade ambiental. Poh, na boa, se vão nos encher com comercias em todos os cantos, que isso não saia tão caro e muito menos do bolso da população brasileira, já que o incentivo veio da Lei Rouanet, quem tem custas do pobre brasileiro.

3. As comidinhas oferecidas eram totalmente sem noção. Passavam longe do que conhecemos como sustentabilidade. Os caras colocaram mega empresas de fast-food como Espetinho Mimi, Pizza, Hambúrguer, Cachorro Quente, crepes e outros afins, com preços lá no Everest, ao invés de valorizar empresas e cooperativas locais e que muita das vezes, sem dúvida alguma, teriam um sabor bem melhor do que a que foi oferecida.

Sustentabilidade envolve qualidade de vida e alimentação saudável. Um evento que preze por este movimento não pode se render e ter como patrocinadores empresas que produzem enlatados, industrializados, refrigerantes e que contribuem para a devastação florestal.

Além disso, apenas oferecer uma opção vegetariana não é a solução. Se é um evento também de reflexão, é necessário que seja dito, ao menos, que a indústria da carne é a que mais contribui para a insustentabilidade. Como parte da idealização do projeto, o correto seria a alimentação natural e vegetariana ser incentivada no evento. Ou não, posso estar errada e sendo a famosa eco-chata, mas é o que entendo que deveria ser.

4. Disseram “Que entrem o mundo dos copos plásticos”. Eles provaram mais uma vez que a noção alguma de sustentabilidade passou longe das terras de ITU. Ou seja, muito lixo foi gerado por apenas uma pessoa e multiplicada por milhares de outras que utilizaram copos plásticos no festival. Por que não dar de presente ou mesmo que vendessem a preços populares as famosas canecas na entrada e distribuíssem água de graça em bebedouros gigantes? Quem sabe se a Neste entrasse nessa Vibe, certamente ganharia nosso respeito!

5. A inovação do SWU nos chocou. Eles mostraram uma nova forma de greenwashing, onde envolveu a produção de um festival de música megalomaníaco com a aproximação do que eles chamaram de “um mundo melhor”. Se chamarmos o Festival SWU de “Um Mundo melhor”, pára o mundo que eu quero descer. Jesus Cristo que me leve para seu lado imediatamente! O resto é fácil: envolva grandes marcas, chame milhões de pessoas para se esbaldarem na Geração “Coca Cola”, consumirem lixo e enlatados e no final enriquecerem aos montes os cofres privados de um povo sem noção!

Para os íntimos "Mechan" tá!
6. Sem nenhuma vergonha, uma parte do evento era destinada ao merchandising, o que soma para validar o evento como mais um de marketing verde. Afinal, qualquer um que se interesse por sustentabilidade sabe que a principal estratégia (melhor do que reutilizar e reciclar) é a de reduzir o consumo. Proposta inviabilizada pelos patrocinadores do evento e, no entanto, uma maneira da nossa tentativa de Woodstock brasileira aproveitar para lucrar um pouco mais. Esperamos que até a realização da Rio+20 (20 anos depois da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Sustentabilidade) possamos exterminar seres abomináveis que tentam mascarar-se utilizando-se da tão sonhada sustentabilidade.

Para forçar o consumo, as pessoas foram proibidas de entrar com água ou comida, o que gerou um lixo gigante já na entrada do evento.

7. O transporte e o estacionamento foram completamente mal organizados. Este talvez seja o principal foco das reclamações e das histórias de sofrimento Como se não bastasse, não havia bicicletário, o estacionamento para o mais sustentável dos veículos.

8. A formação da equipe de funcionários foi muito ruim. Falta de informação e desorganização em todas as falas. Tivemos um problema (pequeno, considerando o que lemos nos relatos) na hora de achar o estacionamento e a produção do evento foi clara ao dizer que não sabia. “Isso aqui tá uma zona, cara!”, sinceramente nos disse um cara com a camiseta do festival logo na entrada. Sem noção alguma!

9. O tempo de todos os shows foi muito curto. Imagine um fã como a Mochila, que foi para lá para assistir a apresentação da nossa Amiga Gabby Veiga, do O Teatro Mágico, Coitado, por exemplo, que passou por muita confusão apenas para ouvir 6 músicas. “Ou cancela o show ou toca por 25 minutos”, foi o que Fernando Anitelli ouviu da organização do evento.

10. Bom, mas se o evento não foi sustentável, foi, pelo menos, um festival de música, não é mesmo? Mais ou menos assim, digamos: o som falhou em muitos shows, como Rage Against the Machine (caiu duas vezes e depois ficou baixo para quem não estava na área premium), Los Hermanos também teve um som baixissimo, Regina Spektor coitada não teve retorno algum de som, Queens of the Stone Age teve problema de microfonia e Yo La Tengo, acho que foi o pior de todos, teve som abafado e baixo.

Tipo assim, o que esperar da Segunda Edição do Festival SWU – “Por um Mundo Sustentável”?

Que realmente ele seja Sustentável ou pelo menos chegue perto, porque a primeira edição passou à léguas de distância do ideal vendido pela mídia!
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