quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ouro Preto: Presente e Passado misturado a ricas belezas


Ouro Preto foi a maior e mais importante cidade do ciclo do ouro mineiro, uma espécie de metrópole do século 18 graças ao garimpo. É uma cidade para ser degustada, comida com os olhos e apreciada com moderação. O presente e passado se misturam a todo momento num passeio por entre seus casarões centenários. As montanhas da Serra de Itacolomi moldam naturalmente a cidade e no topo de cada morro desponta uma igreja.

Sem dúvida alguma, a melhor forma de explorar a cidade de Ouro Preto é a pé. É sério, a pé é a melhor maneira de conhecer a cidade e apreciar calmamente o que ela tem de mais importante - seu patrimônio  cultural e histórico do país. Patrimônio esse que foi tombado pela UNESCO na década de 60.

Quer uma dica sensacional de como começar sua viagem por Ouro Preto? Ai vai a dica...


Comece pela Praça Tiradente - o Marco Zero da cidade. Lá está localizado o Museu da Inconfidência, que abriga móveis e peças sacras que datam o século XVIII - e até túmulos dos inconfidentes. No centro da praça, tem o monumento em bronze e granito que serviu para expor a cabeça do Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Desça a Rua Claudio Manoel e entre na Igreja de São Francisco, a obra-prima da arquitetura barroca mineira. Admire a impressionante pintura do forro, feita por Manoel da Costa Athayde e a beleza dos entalhes em pedra-sabão da portada e do altar, esculpidos por Aleijadinho. Essa mesma pedra serve hoje como base para o artesanato local: panelas, pratos, caixas, imagens… Quase  todos compram na feirinha que fica bem de frente à igreja, no Largo de Coimbra.


Bem próximo, descendo a rua um pouco mais, conheça a Mina do Chico Rei, a única mina de ouro aberta à visitação na cidade.  Não passa de um túnel apertado e úmido, onde mal cabe uma pessoa de pé. Mas que transmite a ideia de como deveria ser a extração artesanal de ouro feita por escravos providos apenas de marreta e picareta. Nessa época, Ouro Preto era quase um queijo suiço: há duas mil bocas de minas ao redor da cidade, de onde saíram toneladas de ouro ao longo de cerca de 150 anos.

Se o passeio abrir o apetite, aproveite a  boa comida mineira preparada em fogão a lenha. Retorne em direção à Igreja de São Francisco e, bem ao lado dela, faça uma parada no Restaurante Bené da Flauta (Rua São Francisco de Assis, 32). Note que no cardápio a carne de porco é a vedete do prato máximo da casa: o feijão-de- tropeiro, que leva bisteca, linguiça, couve, arroz e dois ovos fritos. E a viagem histórica se transforma também em gastronômica. Tem gente que ganha uns quilinhos a mais, pois nada é light na tradicional cozinha mineira. Mas dá para queimar as calorias. Basta cami­nhar mais um pouco pelas ladeiras. Ou pode procurar o Restaurante Casa do Ouvidor (Rua Conde de Bobadela, 42) é uma boa iniciativa antes de reservar a tarde para conhecer a Mina da Passagem, no caminho para Mariana. É a mais bela e antiga mina da região.


Aproveite para conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, internamente decorada com ouro. Um luxo que só. É um deslumbre, fruto da extravagância e da riqueza que gozavam as irmandades cristãs dos tempos do garimpo. Segundo historia­dores, a opulência das obras era sinônimo de status para cada ordem religiosa.

Como os negros eram proibidos de frequentar as igrejas dos brancos, construíam as próprias, caso da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cujo grande difefen­cial é a forma curvilínea das paredes. Internamente, não tem a riqueza das outras. O folclore local divulga que os negros juntaram recursos para erguer seus templos graças ao ouro que conseguiam esconder na boca ou nos cabelos.


Saindo do Largo do Rosário, visite a Casa dos Contos, o antigo local de pesagem e fundição de ouro, hoje um museu. Nesse casarão, o ouro era transformado em barras e recebia o brasão da coroa portuguesa. As salas guardam as ferramentas que ajudavam no processo de fundição, além de utensílios usados para castigar escravos fujões, pois no local também havia uma prisão.


De volta à Praça Tiradentes, siga na direção da Igreja do Carmo, especificamente para a casa anexa, onde fica o curioso Museu do Oratório. Lá está uma coleção de oratórios dos séculos 18 ao 20, de diversos tipos e tamanhos. Esses objetos eram usados no culto religioso doméstico, tão fundamental em qualquer casa mineira como a pia ou a cama. Ocupava lugar de destaque nos quartos – ou mesmo na sala. Na coleção, há peças valiosas, com esculturas e pedras preciosas, e outros pequenos e populares, usados em viagens.

Funcionou até 1985, já com sistema de garimpo industrial, até que as perfurações atingiram um lençol freático que inundou boa parte das galerias. Você pode  entrar na mina a bordo de carrinhos sobre trilhos, os mesmos usados pelos mineradores. O passeio dura cerca de 30 minutos e inclui uma caminhada por entre os túneis subterrâneos até a beira de um lago azul que existe lá dentro.

*Post da Série Mochilão em Ouro Preto - MG

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